quarta-feira, 7 de junho de 2017

Meu filho tem autismo?

Hoje em dia o Autismo e quadros relacionados estão se tornando cada vez mais comuns, ou mais diagnosticados.

Esse post é para falar com pais, familiares e professores que percebem "traços" de autismo nas crianças.

Algumas mães/familiares, enfim, alguém que tem contato com a criança pode perceber alguns destes sinais, mesmo quando ela é bebê:

- pouco contato visual,
- interage pouco com o ambiente, com pais e outras crianças,
- não demonstra contentamento quando um dos pais chega na escola para pegá-la ou em casa depois do trabalho,

- não têm muito interesse por brinquedos que crianças da mesma faixa etária apresentam,
- nem sempre olham quando o nome é chamado,
- por vezes ficam olhando para o espaço (olhar perdido), ou luzes,
- emitem poucos sons (balbucio), ou falam poucas palavras, nem sempre com sentido,
- perto de 1 ano de idade não apontam, não batem palminha, não dão beijou ou tchau.

Esses sinais muitas vezes não representam nenhum quadro em específico, mas são sinais de alerta!

Caso a criança não evolua para um bom nível de interação social, não adquira comunicação (fala e gestos), e tenha pouco interesse por jogos e brinquedos, é interessante sim ficar atento!

O mais indicado é buscar orientação de um neuropediatra ou psicólogo que trabalhe com desenvolvimento infantil, porque estes profissionais podem dizer até que ponto esses sinais são apenas "defasagens" do desenvolvimento, ou de fato Transtorno do Espectro do Autismo - TEA.

Essas crianças, quando bem estimuladas (não precisa encher de terapia!!!), costumam se desenvolver bem!!!

Então, na dúvida é melhor fazer uma avaliação e ficar tranquilo, ou buscar atendimento especializado caso haja indicação!

Um abraço,

Gisele.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Possibilidade de autismo em outra gravidez

Boa tarde a todos!!!

Hoje irei falar sobre a possibilidade de um outro filho também apresentar Autismo.

Antes de tudo, ter um filho é uma decisão bastante emocional, na maioria das vezes, do casal. 

Nesses anos de prática profissional, já atendi gêmeos monozigóticos em que ambos tinham autismo, gêmeos dizigóticos em que um tinha autismo e outro não, irmãos que um tinha autismo e o outros Síndrome de Asperger (atual TEA de alto funcionamento), e irmãos que um deles é autista e outro possui desenvolvimento típico.

Sabe-se que na gravidez de gêmeos monozigóticos, se um dos bebês é autista o outro tem uma chance muito grande (de 60 a 90%, dependendo do estudo) de também estar no Espectro do Autismo.

Isso implica que existem fatores genéticos associados, mas não totalmente, já que a concordância não é de 100%.

A literatura também fala que se um filho tem autismo, a chance do segundo filho ter TEA varia entre 5 a 20%. 

A chance é maior, sem dúvida!!! Mas essa é uma decisão muito pessoal do casal que envolvem inúmeros fatores. 

Para deixar o post mais "técnico", um estudo feito pela Universidade Columbia, demonstra que há uma ligação entre o intervalo de tempo entre o nascimento de uma criança autista e seu irmão/ã. Esse estudo indica que quando a segunda gravidez foi inferior ao tempo de 12 meses, o risco de autismo no segundo filho foi três vezes maior em comparação a gestações com pelo menos 3 anos de intervalo.

Nas gestações com 1 a 2 anos de intervalo o risco foi duas vezes maior.

Assim: "estes resultados sugerem que as crianças nascidas depois de intervalos mais curtos entre as gestações têm um risco acrescido de desenvolver o autismo, o maior risco estava associado com gestações num espaço com menos de 1 ano de intervalo." 

Cabe lembrar mais uma vez que essa decisão cabe ao casal e deve ser respeitada, pois há aí crenças, valores e expectativas individuais e familiares.

Consultar um geneticista pode ser interessante!

Abraços a todos,

Gisele.

Fonte: http://www.aia.org.pt/

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Avaliação de crianças com risco de Autismo

Olá a todos!!!

Estou há um bom tempo sem atualizar o blog, foi um ano de muito trabalho e acabei não dando conta de estar mais presente aqui.

Entretanto, acho importante falar sobre alguns tópicos: com que idade se faz o diagnóstico? Quais sinais devo observar em meu filho que indicam alerta? Que tipo de profissional procurar?

Essa e outras inúmeras dúvidas passam na cabeça dos pais de crianças que apresentam algum sinal de autismo, como pouco contato visual, movimentos repetitivos, apego a objetos, irritabilidade, etc.

Acho importante ressaltar que hoje em dia, de acordo com alguns protocolos (americanos e ingleses) é possível detectar crianças em risco de TEA - Transtorno do Espectro do Autismo a partir dos 16 meses de idade. O fato da criança ter "traços" não significa necessariamente que estará no Espectro.

Entretanto, pode ser interessante uma avaliação de especialista em desenvolvimento infantil para assegurar de que a criança estará evoluindo bem. Sinais de alerta em crianças pequenas:

- pouco contato visual,
- não aponta,
- não compartilha seus interesses,
- atraso no desenvolvimento da linguagem,
- leva o adulto até o que quer mas sem apontar ou com pouco contato visual,
- apego a objetos e brinquedos mas que a criança não usa de forma funcional,
- dificuldade de aceitar o não,
- movimentos repetitivos com o corpo, braços ou mãos,
- irritabilidade

Esses sinais sugerem que a criança possa estar no Espectro do Autismo. Entretanto, muitas vezes trata-se apenas de desenvolvimento atípico para faixa etária, ou apenas atraso globalizado no desenvolvimento. 

De qualquer forma, em todos os casos o prognóstico é favorável, mas vai depender de uma série de fatores, tais como idade da criança, estimulação realizada, emprenho da família.

As terapias quando iniciadas precocemente, otimizam o desenvolvimento da criança, proporcionando maiores habilidades cognitivas, de linguagem, sociais, de vida diária e familiar. Na dúvida, procure um psicólogo infantil, pediatra ou neuropediatra.

Um abraço!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Autismo e Desenvolvimento Atípico

Autismo e Desenvolvimento Atípico


Hoje fala-se muito em Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), que substitui o antigo Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), do DSM IV, e o Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), da CID 10.

Essa mudança proporcionou algumas mudanças, das quais vejo a maioria de forma positiva. 

O que acho mais relevante, é que muitas crianças que não "contemplavam critérios diagnósticos" para TID ou TGD, agora podem ter estar inclusas no Transtorno do Espectro do Autismo. Isso é positivo não não sentido do "estigma" que o diagnóstico implica, mas sim nos encaminhamentos a ele atrelados.

Um diagnóstico de TEA propicia que a criança seja encaminhada para intervenção precoce, otimizando seu potencial e seu desenvolvimento de uma forma global.

Entretanto, algumas crianças, especialmente as nas faixas entre 1 ano e 6 meses e 3 anos, que possuem vários sinais que consideramos "red flags", em inglês "bandeiras vermelhas" do desenvolvimento infantil, e nem sempre fica claro um diagnóstico de TEA.

Isso quer dizer que qualquer criança entre 1 ano e meio e 3 anos, que não possua diagnóstico formal de Espectro do Autismo, pode ser avaliada por profissionais capacitados com o intuito de avaliar o desenvolvimento infantil. Atualmente, o termo utilizado é "desenvolvimento atípico para faixa etária".

Nesta avaliação, alguns marcos do desenvolvimento devem estar presentes, indicando então bom prognóstico.

Divididos em algumas etapas, são eles:

Aos 9 meses: 

  • Sorri quando se olha diretamente para a criança,
  • Procura o som e vira a cabeça para a fonte,
  • Procura por itens e brinquedos do seu interesse,
  • Emite "vocalizações" para conseguir atenção do adulto ou ajuda.
Aos 12 meses:

  • Responde quando chamado pelo nome (olha para a pessoa),
  • Entende comando simples e gestos,
  • Usa gestos como apontar e mostrar,
  • Emite alguns sons e até algumas palavras,
  • Brinca de "esconder",
  • Responde ao "não",
  • Tenta imitar sons e gestos,
  • Mostra ao adulto itens que o interessam.

Aos 18 meses:

  • Fala ao menos 10 palavras,
  • Faz mais que 5 sons consonantais,
  • Imita palavras que escuta,
  • Identifica partes do corpo quando nomeadas,
  • Começa a brincar de faz-de-conta

Aos 24 meses:

  • Fala em média 50 palavras,
  • Fala frases simples, como "qué suco, dá bola",
  • Arruma brinquedos de faz-de-conta,
  • Reconhece figuras simples em livros e ouve histórias,
  • Fica feliz com a companhia de outras crianças,
  • Começa a reconhecer formas e cores,
  • Segue ordens simples,
  • Imita o comportamento de outros, especialmente adultos e outras crianças,

Aos 36 meses:

  • Demonstra e fala de afeto,
  • Obedece comandos complexos (em duas ou três etapas),
  • Entendo o que lhe é dito,
  • Usa de 4 a 5 palavras numa frase,
  • Sabe esperar sua vezes em jogos.

De forma geral, essas conquistas são esperadas para crianças nas faixa etárias acima referidas.

Se você acha que seu filho (a), aluno, familiar encontra algumas defasagens em seu desenvolvimento, procure um especialista em desenvolvimento infantil

A intervenção precoce para desenvolvimento atípico é bastante eficaz, desde que procurada num período de grande plasticidade cerebral!

Fonte: http://www.autism-center.ucsd.edu/autism-information/Pages/development.aspx





quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Restrição e Seletividade Alimentar no Autismo

Resolvi fazer um post sobre alimentação, pois é uma queixa muito frequente no consultório. Entretanto, não falarei sobre a dieta do tratamento biomédico (protocolo DAN).

Muitas crianças que apresentam diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo apresentam restrição e seletividade alimentar.

Na restrição, a criança quase não come, sendo portanto, restrita , podendo haver baixo peso e perda de crescimento de acordo com o esperado.

Já na seletividade, a criança tem um leque mais amplo de alimentos que come, entretanto, não segue o cardápio familiar ou da escola e faz exigências.

Muitas vezes, a seletividade pode ser pela textura, consistência, cheiro, apresentação e gosto do alimento. 

Outras vezes, comem com determinado familiar, mas não se alimentam apropriadamente na escola.

É comum algumas crianças com TEA só comerem alimentos de determinada consistência, por exemplo, só na forma de papinhas ou batidas em liquidificador. Isso atrapalha a inserção da alimentação sólida.

Outras crianças só comem alimentos fritos, outros apenas de determinada cor, etc.

Os maiores problemas da restrição e seletividade alimentar tem relação com ganho de peso, crescimento abaixo do esperado, dificuldade de seguir uma alimentação saudável, rotinas não funcionais impostas à família, e ainda diabetes, colesterol, carência nutricional.

O tratamento mais eficaz (que mostra comprovação científica) é através da abordagem comportamental, (Análise do Comportamento ou ABA), que, conhecendo o perfil da criança, pode traçar estratégias com objetivos específicos.

Um exemplo de objetivo a ser alcançado com uma criança com seletividade alimentar: 

  • Comer determinado alimento (recusado até então), em uma quantidade específica em determinada data.

Como cada criança é única, e o que leva cada uma a apresentar seletividade é muito específico, um profissional fará uma avaliação comportamental, e junto da família (treino parental), irá propor estratégias de modificação deste comportamento.

Cabe lembrar que os pais/cuidadores tem papel fundamental neste processo, pois quando a família está engajada os resultados aparecem mais rapidamente e são duradouros. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Causas do Autismo

Um post rápido sobre as possíveis causas do Autismo. Cabe lembrar que tais fatores são pr-e e peri natais.

  • Idade avançada do pai (Nature, Stefánsson, et al. 2012),
  • Baixo peso ao nascer ou pequeno pra idade gestacional (Journal of Pediatrics, Lampi, 2012, and Pediatrics, Pinto-Martin, 2011),
  • Deficiência materna de ácido fólico antes da concepção (American Journal of Clinical Nutrition, Schmidt, et al. 2012),
  • Exposição materna à pesticidas (Environmental Health Perspective, Shelton, et al. 2012),
  • Exposição materna a poluição do ar (Environmental Health Perspective, Volk, et al. 2011),
  • Obesidade materna (Pediatrics, Krakowiak, et al. 2012).

Apesar destes apontamentos, as pesquisas ainda não conseguiram descobrir ao certo as causas de Autismo. Entretanto, os pesquisadores sabem que o autismo resulta numa mutação genética em 15 a 20% dos casos. Entretanto, fatores ambientais podem aumentar a suscetibilidade ao Autismo (conforme pesquisas acima).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Vou colocar aqui no blog um texto sobre o PECS, que é uma das possibilidades de intervenção para pessoas com Autismo. 

PECS já está disponível no Brazil, o que é ótimo!

Eu fiz um curso com eles em Londres ao final de 2012, sobre Manejo de Comportamentos Problemáticos/Desafiadores, e recomendo!

Mais informações em: http://www.pecs-brazil.com

PECS

O PECS (Picture Exchange Communication System) foi desenvolvido em 1985 como um sistema de intervenção aumentativa /alternativa de comunicação exclusivo para indivíduos com Transtorno do Espectro do Autismo e doenças do desenvolvimento relacionadas. 

Usado pela primeira vez num programa em Delaware ‘Delaware Autistic Program’, PECS tem recebido reconhecimento mundial por focar no componente de iniciação de comunicação. PECS não requer materiais complexos ou caros. Foi criado pensando em educadores, famílias e cuidadores, por isso é facilmente utilizado em uma variedade de situações.

PECS começa ensinando uma pessoa a dar uma figura de um item desejado para um "parceiro de comunicação", que imediatamente aceita a troca como um pedido. O sistema passa a ensinar a discriminação de figuras e como juntá-las formando sentenças. Nas fases mais avançadas, os indivíduos aprendem a responder perguntas e fazer comentários.

O protocolo de ensino PECS é baseado no livro de BF Skinner, Comportamento Verbal, de tal forma que operantes verbais funcionais são sistematicamente ensinados usando dicas e estratégias de reforço que levarão a uma comunicação independente. Dicas verbais não são usadas, construindo assim início imediato e evitando a dependência de dicas.


PECS tem sido bem sucedido com indivíduos de todas as idades que possuem graus de comunicação, dificuldades cognitivas e físicas variadas. Alguns alunos usando PECS também desenvolvem a fala. Outros podem fazer transição para um sistema de saída de voz. Os pesquisadores de apoio a eficácia do PECS continuam a se expandir, com pesquisas de países de todo o mundo.


As seis fases do PECS

FASE I
Como se comunicar
Os alunos aprendem a trocar uma única figura para itens ou atividades que eles realmente querem.
FASE II
Distância e Persistência
Ainda usando uma única figura, os alunos aprendem a generalizar esta nova habilidade e usá-la em lugares diferentes, com pessoas diferentes e usando distâncias variadas. Eles aprendem a serem comunicadores persistentes.
FASE III
Discriminação de figuras
Os alunos aprendem a escolher entre duas ou mais figuras para pedir seus itens favoritos. Estes são colocados em uma pasta de comunicação com tiras de Velcro ® onde as figuras são armazenadas e facilmente removidas para a comunicação.
FASE IV
Estrutura de sentença
Os alunos aprendem a construir frases simples em uma tira de sentença usando um ícone "Eu quero" seguido por uma figura do item que está sendo solicitado.
Atributos e Expansão de vocabulário
Os alunos aprendem a expandir suas sentenças, adicionando adjetivos, verbos e preposições.
FASE V
Respondendo a perguntas
Os alunos aprendem a usar PECS para responder à pergunta: "O que você quer?".
FASE VI
Comentando
Agora os alunos aprendem a comentar em resposta a perguntas como: "O que você vê?", "O que você ouve?" e "O que é isso?". Eles aprendem a compor sentenças começando com "Eu vejo", "Eu ouço", "Eu sinto", "É um", etc


Olá!

Para entender o que pensam e sentem as pessoas com Autismo, eu costumo me ler relatos de pessoas com AAF (Autismo de Alto Funcionamento) ou SA (Síndrome de Asperger).

Achei esse site muito interessante, o de uma menina chamada Carly Fleischmann. Ela é uma autista não verbal, mas usa tecnologias para conseguir se comunicar.

http://carlysvoice.com/home/

Muito legal para entendermos o mundo do Autismo! O fato de alguns deles não falarem não inviabiliza a comunicação!

Abraço!



terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Autismo a longo prazo

Oi pessoal!

Já estava há bastante tempo sem postar. Mas agora achei uma notícia bem interessante, principalmente para as mães e pais dos meus pacientes e de todas as crianças com Autismo e TEA.

Sempre falei, a notícia reforça: INTERVENÇÃO PRECOCE É FUNDAMENTAL PARA O BOM DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS!!!

Abraço a todos!!!


O Autismo a longo prazo

Artigo do site 'Reabilitação Cognitiva'

da Redação
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, liderados por Christine Fonte fez um estudo a longo prazo de 6975 crianças com Autismo. Os pesquisadores usaram dados de centros de californianos que haviam trabalhado com crianças afetadas na faixa etária de 2-14 anos. As crianças nasceram entre 1992 e 2001 e tiveram pelo menos quatro avaliações anuais.
O objetivo era determinar como foi a evolução dessas crianças desde que receberam o diagnóstico até quando terminaram a escola primária. Como esperado, os resultados foram heterogêneos e as crianças que tiveram sintomas mais leves mostraram mais progresso.
Os pesquisadores estudaram os sintomas relacionados à comunicação social e comportamentos repetitivos. Eles descobriram que, especialmente na comunicação social, a maioria das crianças melhorou ao longo do tempo, mas alguns muito mais rapidamente do que outros. O interessante é que havia um grupo chamado “bloomers” ou “florescente”, que foi cerca de 10% do total, e foi caracterizado porque essas crianças têm problemas graves no início da comunicação e da interação social, mas fazem um grande progresso nos anos de escola primária, de modo que, no final desses anos pertencem ao grupo de “alto funcionamento”. Ninguém sabe por quê.
Ao contrário das habilidades sociais e de comunicação, o comportamento repetitivo não mostrou muita variação ao longo dos anos, nem melhorou nem piorou na maioria das crianças.
As melhorias não foram tão significativos em crianças com deficiência intelectual combinada com o Autismo, o que era algo já era conhecido.
Um aspecto inesperado é que as crianças brancas e aqueles cujas mães tiveram um maior nível de educação tendem a ter sintomas do autismo menos grave. Eles provavelmente vão aderir ao grupo de bloomers. As diferenças nas taxas de melhora em relação à raça e ao nível educacional dos pais é uma notícia considerada preocupante. Muito provavelmente esse resultado não significa uma questão racial, mas econômica e educacional: ou porque os pais destas crianças têm acesso a um melhor sistema de saúde e de assistência social, ou porque eles podem pagar escolas particulares e de apoio, assim, estas crianças têm acesso a um tratamento de qualidade para uma extensão maior do que a média.
Uma questão é se existem modelos diferentes de evolução do autismo, se as crianças podem seguir caminhos diferentes em sua evolução e se estas diferenças são típicas da criança ou dependente da terapia. Os autores da publicação supracitada distinguiram seis diferentes modelos de evolução, mas não há consenso entre os pesquisadores sobre as razões para esses padrões diferentes de desenvolvimento de cada criança.
As conclusões são:
- A maioria das crianças com autismo melhoram ao longo da infância, alguns muito mais do que outros;
- Com a terapia constante e ajustada à criança, a vida das crianças e de suas famílias melhoram significativamente;
- É importante que todas as crianças tenham acesso ao tratamento de qualidade;
-As maiores melhorias nos sintomas de autismo ocorrem antes dos seis anos, enfatizando a necessidade de iniciar o tratamento o mais cedo possível.


Fonte: http://saci.org.br/index.php?modulo=akemi&parametro=35532

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Autismo no DSM V

Olá a todos!

Muitas pessoas da área da Saúde e Educação já sabem que o novo DSM, o DSM V sairá em maio de 2013.

E claro, algumas mudanças vão ocorrer com o intuito de melhorar o referido manual.

No que se refere ao Autismo e demais TIDs, é fato que a nova nomenclatura será Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). Até aí tudo bem, porque quando eu falo que trabalho com pessoas com Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, a grande maioria das pessoas não tem nem idéia do que sejam! Quando eu falo em Espectro do Autismo, fica bem mais claro.

Mas eu confesso que estou um pouco preocupada com algumas mudanças.

O que mais me assusta é que os especialistas estão bastante inclinados a retirar o diagnóstico de Síndrome de Asperger dos TEA.

Bom, para elucidar um pouco o assunto, coloco uma reportagem sobre o controverso tema:

Médicos americanos revisam diagnóstico de autismo


Associação Psiquiátrica quer mais rigor para definição do distúrbio de comportamento

Mudanças importantes propostas por pesquisadores médicos para a definição de autismo vão reduzir drasticamente o número de pessoas diagnosticadas com o distúrbio e ainda tornar mais difícil classificar pacientes que não satisfazem os critérios para obter os serviços educacionais e sociais previstos como auxiliares no tratamento. A definição médica de autismo está sob revisão por um painel de especialistas nomeados pela Associação Americana de Psiquiatria, que vai concluir os trabalhos para a quinta edição do Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais. O DSM, como o manual é conhecido na sigla em inglês, é referência-padrão para a definição de transtornos mentais, a condução do tratamento, a pesquisa e as decisões sobre seguros de saúde.


Os resultados do estudo ainda são preliminares, mas oferecem a estimativa mais recente de como apertar os critérios para o diagnóstico do autismo, afetando drasticamente a taxa de pacientes com esta classificação. Índices de autismo e desordens mentais relacionadas, como a síndrome de Asperger, têm decolado para as alturas, desde o início de 1980, ao ponto de uma em cada cem crianças receber o diagnóstico. Muitos pesquisadores suspeitam que esses números são inflados por causa da indefinição nos critérios atuais.


_ As alterações propostas põem um fim à epidemia de autismo _ avalia o médico Fred R. Volkmar, diretor do Centro de Estudos da Criança da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale e um dos autores da revisão. _Gostaríamos de cortar o mal pela raiz.

Especialistas trabalharam na nova definição questionando fortemente as estimativas do número de pacientes dos distúrbios relacionados ao autismo.


_Eu não sei como as instituições estão recebendo esses números tão elevados _ afirmou a médica Catherine Lord, membro da força-tarefa trabalhando no diagnóstico.


Projeções anteriores concluíram que muito menos pessoas seriam excluídos com a mudança de diagnóstico proposta, segundo o Dr. Lord, diretor do Instituto de Desenvolvimento do Cérebro, um projecto conjunto do NewYork-Presbyterian Hospital, do Weill Cornell Medical College, do Columbia University Medical Center e do New York Center for Autism.


Pelo menos um milhão de crianças e adultos já têm um diagnóstico de autismo ou de um distúrbio relacionado a ele, como a síndrome de Asperger (ou "transtorno invasivo do desenvolvimento, não especificado de outra forma"). As pessoas com Asperger têm algumas dos mesmos distúrbios sociais das pessoas com autismo, mas não satisfazem totalmente a definição médica para autismo. A alteração proposta agora iria consolidar todos os diagnósticos sob uma categoria, a de transtorno do espectro do autismo, eliminando a síndrome de Asperger do manual psiquiátrico. De acordo com os critérios atuais, uma pessoa pode se qualificar para o diagnóstico através da exibição de seis ou mais de um total de 12 comportamentos. Nos termos da definição proposta, a pessoa teria que exibir três déficits de interação social e deomunicação e pelo menos dois comportamentos repetitivos _ um cardápio bem mais estreito.


O Dr. Kupfer avalia que as mudanças propostas pela Sociedade de Psiquiatria são uma tentativa de esclarecer essas alterações e colocá-las sob um único nome. Centenas de milhares de pessoas recebem apoio do Estado pelos serviços especiais para ajudar a compensar os efeitos dos transtornos incapacitantes, que incluem problemas de aprendizagem e de interação social, e o diagnóstico é, em muitos aspectos, fundamental para suas vidas. Redes de pais estão unidas por experiências comuns com as crianças, e os filhos, também, podem crescer para encontrar um sentido de sua própria identidade em sua luta com o transtorno.


Mary Meyer, de Ramsey, New Jersey, disse que o diagnóstico de síndrome de Asperger foi crucial na obtenção de ajuda para sua filha. O acesso aos serviços ajudaram-na tremendamente.

_ Estou muito preocupado com a mudança no diagnóstico, porque eu me pergunto se minha filha sequer qualificaria para receber ajuda agora _ disse ela. _ Ela é sobre a deficiência, que é parcialmente baseado no de Asperger, e eu estou esperando para levá-la para habitação de apoio, que também depende de seu diagnóstico.


Mark Roithmayr, presidente da Autism Speaks, uma organização de defesa de pacientes, acha que o novo diagnóstico proposto deve trazer a clareza necessária, mas que o efeito sobre os serviços ainda não está claro.


_ Precisamos acompanhar atentamente o impacto dessas mudanças de diagnóstico sobre o acesso aos serviços de saúde e garantir que a ninguém está sendo negado serviços de que necessita _ disse o Sr. Roithmayr. _ Alguns tratamentos e serviços são movidos unicamente por diagnóstico de uma pessoa, enquanto que outros serviços podem depender de outros critérios como idade, QI ou história médica.


Na nova análise, o Dr. Volkmar trabalhou juntamente com Brian Reichow e McPartland James, ambos na Universidade de Yale. Eles usaram dados de um estudo de 1993 de grande porte que serviu de base para os critérios atuais. Eles se concentraram em 372 crianças e adultos que estavam entre o mais alto funcionamento e descobriram que, acima de tudo, apenas 45% deles se qualificariam para o diagnóstico do espectro do autismo proposto, agora em análise. O foco em um grupo de alto funcionamento pode ter exagerado um pouco essa porcentagem, isto os autores reconhecem.


A probabilidade de ser deixado de fora sob a nova definição depende do diagnóstico original. Cerca de um quarto das identificadas com autismo clássico em 1993 não seria identificada com base nos novos critérios propostos. Cerca de três quartos das pessoas com Asperger não se qualificariam; e 85% das pessoas com outros distúrbios associados estaria fora da nova classificação.


As conclusões preliminares da revisão foram apresentadas pelo Dr. Volkmar esta semana. Agora, os pesquisadores vão publicar uma análise mais ampla, com base em amostra maior e mais representativa de mil casos. O dr. Volkmar disse que, embora o novo diagnóstico proposto seja para distúrbios de espectro mais amplo, ele incide fortemente sobre "pacientes classicamente definidos como autistas", crianças na extremidade mais grave da escala. Segundo o médico, o maior impacto da revisão recai sobre aqueles que são cognitivamente mais capazes.



Fonte:
http://oglobo.globo.com/saude/medicos-americanos-revisam-diagnostico-de-autismo-3718273